Encontro-me
Na verdadeira encruzilhada.
Não vejo sinal ou luz
Nem seta alguma que aponte.
Não há caminho certo.
Só dualidades.
A vida é assim, também:
Certo ou errado.
Então o que fazer?
Se a confusão
Resume as coisas
Em 50% de chance.
Ao menos isso é cruel;
E nem certo disto
Pode-se estar.
Tudo pode dar certo.
É tudo mentira,
Ou tudo verdade.
E só resta seguir
Um dos caminhos.
Então é negro ou branco
É chuva ou sol
É terra ou ar
É água ou fogo
É reconhecimento, ou então
A fulgura do mudo esquecimento.
É sim ou não.
É paz ou tormento.
É noite ou dia,
E não há espaço para os dois.
Nem transição ou interface
Nem crepúsculo ou ocaso.
É alto ou baixo
Céu ou inferno
É escolha ou destino
Quente ou frio
É glória ou fracasso
É perene satisfação
Ou desgosto e frustração
É vida ou morte
Na encruzilhada é assim:
Não há tempo para pensar.
Não espaço para interpretar.
É só uma escolha angustiante.
Dentre escolhas possíveis
Sem conhecimento do futuro
Sem certeza de nada
Que faze-nos esperar o que vier.
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